Permanente Afro

É incrível como aumentou a procura por permanente afro nos salões. Muitas mulheres recorrem a esta técnica para conseguir cachos mais maleáveis e fáceis de manter.

Infelizmente, não é todo o tipo de cabelo que pode passar por este processo químico. O permanente afro é indicado para cabelos que não tenham ondulação, como o carapinha.

Já falei isso várias vezes, mas sempre é bom repetir: se você pegar um fio de cabelo carapinha vai perceber que ele tem formato de ziguezague. O que isso quer dizer? Quer dizer que ele não forma cachos. Por isso este tipo de cabelo é mais indicado para alisamento ou permanente afro.

Com o permanente afro o carapinha ganha ondulação. De que forma?

Como toda química, o permanente afro também muda a estrutura dos fios. Maria Angela Veríssimo, responsável pelo departamento técnico da Avlon, diz que o processo envolve três passos: alisar, enrolar e neutralizar.

Antes da aplicação é necessário fazer um teste. O cabeleireiro vai separar uma pequena mecha do cabelo, aplicar o produto e esperar alguns minutos para ver se o fio está com a resistência adequada.

Se tudo ocorrer bem no teste, o cabelo é lavado para retirar as impurezas e, em seguida, passa-se o creme para alisar os fios.

Após a desestruturação dos fios, aplica-se um líquido de ondulação e o cabelo é enrolado com bigudinhos (rolinhos de plástico). É o bigudinho que vai formar o cacho. Como tem várias espessuras, quanto maior, maior o cacho. O próximo passo é a neutralização e hidratação.

 

Bigundinho: prazer em conhecer

 

Retoque

Como o cabelo vai estar cacheado, o tempo para retoque é a cada quatro meses. O produto só deve ser aplicado na parte do cabelo que cresceu.

No dia a dia, a manutenção dos cachos é simples: lavar, condicionar e passar leave-in. E uma vez por semana, hidratar profundamente os fios.  

Só um lembrete: quem alisou o cabelo recentemente terá que esperar sete meses para fazer o permanente, principalmente se usou uma química incompatível. No permanente é utilizado o tioglicolato de amônia, mas em quantidade menor, menos agressiva.

Cabelo crespo com química

Tenho recebido alguns e-mails de meninas que passaram por algum tipo de processo químico e estão com os cabelos danificados.

Primeiro, gostaria de dividir com vocês o que penso sobre alisamento. Embora hoje use o meu cabelo natural, alisei e relaxei os fios durante muitos anos. O que me incomoda não é o alisamento em si, mas o motivo que nos leva a mudar de crespo para liso.

Hoje percebo, claramente, que no meu caso foi porque não sabia como lidar com o meu cabelo crespo. Na época em que era adolescente não existia leave-in (socorro!) e muito menos produtos especiais para cabelo crespo.

Para vocês terem uma idéia, nas prateleiras dos supermercados só encontrávamos xampus e condicionadores para cabelos secos, normais e oleosos.

Depois de lavar e condicionar os fios, o que me restava? Passar Óleo de Lavanda Bourbon, trançar ou fazer rabo de cavalo. Cabelo solto? Só passando chapinha.

A falta de informação e de produtos acabaram me levando para química. A primeira vez que fiz o alisamento foi incrível. Meu cabelo balançava e brilhava como em um comercial de xampu. Cheguei em casa, fui direto para o espelho e jogava os cabelos prá lá e prá cá. Era fascinante descobrir o que era ter o cabelo liso.

Mas não gostava do meu visual com aquele cabelo lambido, por isso passei a enrolar os cabelos e, com o tempo, à noite fazia trancinhas e soltava de manhã. Ele ficava todo frisado.

Com o passar dos anos, e a falta de tratamento adequado, os cabelos começaram a enfraquecer.  Aí descobri que também não sabia como lidar com os cabelos alisados. Para completar, passei por um alisamento que queimou todo meu couro cabeludo.  Tive que fazer tratamento durante um ano e um corte radical.

Depois disso, ainda passei por vários processos químicos, fui me informando cada vez mais, não ia a qualquer salão e fazia tratamentos em casa. No salão, meu comportamento mudou. Em vez de entrar muda e sair calada, passei a questionar a cabeleireira sobre tudo (que produto é esse? O que faz? O que você vai colocar no meu cabelo? O que faço para hidratar o cabelo em casa?). Um verdadeiro interrogatório.

Com isso aprendi que o alisamento deve ser uma escolha consciente. Algumas meninas veem a química como o caminho mais fácil. Posso dizer para você que ela não é.

O processo químico muda completamente a estrutura e a textura do cabelo crespo. Para saber qual química deve escolher é preciso passar por uma avaliação profissional.  O cabeleireiro vai analisar seu tipo de cabelo, fazer testes e definir o que é melhor para você.

Se for a um salão e o cabeleireiro quiser fazer a química na hora, saia correndo. Vai ser uma roubada. Antes de qualquer processo químico, é preciso preparar os fios, passar por um período de hidratação e recuperação dos cabelos.

Nomes para guardar

Os princípios ativos mais utilizados para mudar a estrutura dos cabelos são:

- Hidróxido de Cálcio

- Hidróxido de Sódio

- Hidróxido de Guanidina

- Tioglicolato de Amônia

A maioria dos produtos são incompatíveis entre si. Por este motivo, se você já tem química nos cabelos e quer partir para outro tipo de alisamento, relaxamento ou permanente afro, a base do produto precisa ser a mesma. Caso contrário, terá que cortar os cabelos para retirar toda a química anterior.

Outro ponto importante: após o alisamento é fundamental receber orientação para cuidar do cabelo em casa, quais produtos utilizar e o passo a passo da rotina diária.  Se quer ter um cabelo bonito e saudável, precisa de muita disciplina.

Vou fazer mais posts para esclarecer este assunto, detalhando cada tipo de alisamento. Quanto mais você souber, mais segurança terá para avaliar se está nas mãos de um bom profissional.

Como fazer a transição da química para o crespo natural

Abrir mão da química para assumir o cabelo natural é um grande desafio. Sei que tem muitas meninas que estão se preparando para assumir o jeito crespo de ser de seus cabelos, por isso decidi fazer este post.

Antes de você sentar na cadeira do cabeleireiro, é preciso que esteja consciente de todas as etapas que enfrentará para que o seu cabelo fique da maneira que sonhou.

A primeira coisa que deve levar em consideração é que para assumir os fios crespos você tem duas opções: a opção radical e a opção que vou chamar de meio-termo.

Opção radical: (esta foi a que escolhi) cortar toda a parte com química. Isto significa que, dependendo do comprimento do crespo, o cabelo ficará bem curto. Até que cresça, vai demorar alguns meses. Esta opção tem uma vantagem: você não terá que se preocupar com a quebra dos fios, mas precisará fazer muita hidratação e outros tratamentos para que o cabelo cresça forte e saudável.

Além disso, é bom preparar o espírito na hora de se olhar no espelho para ver o novo visual. Logo de cara, você sente uma angústia e vem a pergunta: vou conseguir ficar com este cabelo? Depois, mais perguntas passarão pela sua mente: O que meus amigos vão dizer? E no trabalho?

E tem o dia seguinte, quando você acorda e parece que o cabelo encolheu ainda mais: Meu Deus, estou careca!

A cantora Solange Knowles, irmão da Beyoncé, disse adeus aos apliques e relaxamentos.

Soraia Ferretti, dona do salão de beleza Lunablu, tem muitas clientes que estão passando por esta fase. “Algumas mulheres tiveram uma péssima experiência com alisamentos e progressivas e seu cabelos ficaram ressecados e quebradiços; outras cansaram de ficar ‘escravas da escova’. Por isso, a relação delas com o cabelo é a pior possível, o que dá força para que queiram os cachos de volta”.  

Para Soraia, segredo para sobreviver a esta fase é ter muita força de vontade.

Opção meio-termo: você pode esperar o cabelo crescer, sem ter que cortá-lo de forma radical. A desvantagem é que o risco de quebra dos fios é grande, porque o local onde o crespo se encontra com a parte alisada é um ponto muito frágil. Para reduzir as quebras, você também terá que usar produtos e tratamentos que irão facilitar esta fase de transição.

Esta opção é interessante para quem está acostumada com os cabelos mais compridos ou não quer o cabelo curto. Mesmo assim, Soraia Ferretti recomenda fazer um bom corte, que mantenha um pouco do comprimento e ajude a disfarçar a diferença entre a raiz crespa e a parte lisa.

Bom, então agora é arregaçar as mangas e tomar a decisão. Não se esqueça de conversar bastante com o seu cabeleireiro. Quanto mais segura se sentir, melhor.

E lembre-se: esta fase de transição vai significar uma nova fase na sua vida, uma oportunidade para reinventar o seu estilo. Boa sorte!